Confissão #97

(Finalmente o último capítulo. Vocês já deviam estar de saco cheio, né? Mas um dos próximos posts vai ser porque resolvi publicar aqui esse livro. E, como fiz com o primeiro capítulo, ele vai inteiro, mesmo longo)


***
Capítulo 13 - Parte final


Aos teus pés


Aos trinta e dois anos de idade, soltei-me das garras do meu medo e me atirei ao lago. E ele me acolheu com a alegria saudosa de velhos amantes, daqueles que já conhecem os corpos um do outro e sabem de todas as suas manias e preferências, marcas e reentrâncias. Passou-se muito tempo desde que nos vimos, mas ele ainda foi capaz de me envolver com as mesmas sensações. Desta vez, voluntárias. E nem sei se é apenas porque já aprendi a nadar. Ele se estendeu às minhas margens e abriu o caminho para que eu atingisse as margens dele também. Habitávamos um no outro, desde sempre.
E é desde sempre também que ele me descobre. E agora me fala da mesma maneira que antes, ainda que tenhamos tomado caminhos diferentes.

Perdoa-me por mentir? Porque assim também é o amor, muda o curso do passado da gente, purifica os pecados, faz esquecer os deslizes. Amor. Eu digo esta palavra e a boca me enche de água. Benta. O amor beatifica a alma ao mesmo tempo em que assanha os demônios do corpo. E a gente passa a sonhar acordado, satisfazendo os desejos mais urgentes. Inventa amantes, entrega-se a eles e tenta provocar ciúmes no homem amado. É na limpidez de um lago que a verdade não tem onde se esconder, não há dobras, curvas, nesgas ou frestas onde ela não se afogue. Não há como ser conhecedor único das mentiras que empurramos para debaixo do tapete quando ninguém está olhando. É por isso que agora confesso, como se ainda precisasse: não houve amor na cama coberta com pétalas de rosas. Houve apenas a continuação de um sonho, delimitado por um grito e um despertar, que acabei de sonhar acordada. Para não perder o controle.

Eu precisava imaginar algo que não me fizesse vítima passiva da espera. Algo que me dissesse que ainda sou capaz de sentir desejo e entrega, muito além de um único beijo. Este sim, aconteceu. Fechei os olhos e imaginei que ali na minha frente, entre os meus lábios, estava ele, o amor em pessoa. E naquele momento eu o amei, como só a você sou capaz de amar. Eu precisava contar para que não haja mentiras entre nós. E se eu convivesse um pouco mais com ela, passaria a ser verdade, pois é muito fácil nos enganar. Como conhecemos o nosso ponto fraco, vamos direto a ele, ao lugar onde conservamos as defesas desarmadas. Como alguém que escreve cartas de amor para si mesmo e se apaixona pelo remetente.

Talvez, ao tentar provocar o ciúme, a gente só queira testar a dimensão do amor. Nunca o senti, o ciúme. Será que nunca amei o bastante? Ou nunca alguém me amou o suficiente para que eu o sentisse verdadeiramente meu? Sempre fugi dos homens que se demonstraram ciumentos. Na verdade, o que eles queriam era subjugar, possuir, e não mostrar que eu pudesse querer ser possuída. Preciso de um que me permita ser alvo do ciúme e ceder ao sentimento, sem achar que cedo ao homem. Da mesma maneira que quando sorrimos para o ser amado é de uma felicidade que não vem dele, mas da qual enlouquecemos irremediavelmente a partir do que ele provoca.

Hoje vim até aqui para observar, para ter certeza de que os meus lugares para onde voltar ainda esperam por mim. A ilha também me espera, em passagem marcada para amanhã; e em telefonemas diários a dona Isabel me manteve informada: ninguém chegou. Antes de encarar isso, eu precisava me sentir pertencendo a alguém, a algum lugar. Dizem que a gente não pertence a lugar nenhum até que enterre ali os nossos mortos. Nesta cidade eu tenho os meus, antigos e recentes. Ontem fui visitar a minha avó Lola e me lembrei de que foi ela quem tirou Poliana dos meus livros de história e a transformou em minha boneca e amiga preferida.

Poliana me entendia e ajudava, tomava lição, distraía-me quando eu ficava de castigo, dava-me razão em tudo. E me contava muitas histórias, pois conhecia o mundo inteiro; já tinha brincado em inglês, francês, alemão, japonês, italiano, espanhol e qualquer outra língua da qual eu soubesse o nome ou o país. Hoje imagino que o que ela não sabia, inventava. E mesmo nas suas invenções tinha visitado todos aqueles lugares e me falava de brinquedos e brincadeiras, costumes, roupas, músicas, comidas e o que mais eu quisesse saber. Ficávamos horas planejando viagens para tais lugares, para quando eu crescesse e pudesse ir só com ela. Até que alguém se aproximava e Poliana me deixava falando sozinha, fingindo ser apenas uma boneca. Este era o nosso maior segredo, e para preservá-lo eu aprendi a imitar sua voz, e continuava a nossa conversa quando perguntavam se eu estava falando sozinha de novo. A princípio eu dizia que não, que era com Poliana. Mas depois resolvi brincar com eles também, dizer que sim, que eu falava e brincava com amigos imaginários, alimentando minha fama de menina estranha.

Tínhamos um código. Eu adorava estar com Poliana, mas às vezes queria ficar sozinha, brincar sozinha, e então ela se fingia de boneca, ficava parada, quietinha onde eu a deixava. E quando queria chamar a minha atenção, tocava sinos. Uma vez, duas, três vezes. Se eu não respondesse, ela não ficava chateada, entendia e continuava sua brincadeira de ser brinquedo. Brinquedo que eu já conhecia muito bem, antes mesmo que a minha avó a fizesse para mim. Sabia tudo sobre ela, e a via com seus cabelos loiros, seus olhos azuis, suas sardas, seus vestidos de babado. Sabia das suas brincadeiras preferidas e treinava todos os dias o Jogo do Contente. Então, para mim, Poliana era motivo de alegria; eu sempre a imaginei com um sorriso bondoso no rosto. Procurei em várias bonecas o sorriso de Poliana e não encontrei. Resolvi que ia fazer a minha, e em uma das muitas tardes que passava com a minha avó, pedi a ela que me ajudasse, e nos sentávamos sob a parreira com um cesta de tecidos, linhas, tesoura, agulha, lã.

Primeiro o vestido de babados com mangas bufantes e cinto de organdi. Depois o corpo e a cabeça com longas tranças de lã amarela. O rosto com olhos de botões azuis, o nariz empinado de botão de madrepérola, as bochechas salientes moldadas em espuma por baixo do tecido, com muitas sardas pintadas à mão. Pintadas também foram as sobrancelhas, os cílios e as narinas. Tinha até uma covinha no queixo, feita com um ponto apertado no tecido. E por último meias brancas de renda e sapatos pretos de crochê. Só faltava a boca, que eu ainda não sabia como fazer, e disse a vó Lola que queria um sorriso. Sem saber que eu pensava no de Poliana, a minha avó abriu um sorriso que era exatamente como o que eu imaginava. Pedi que ela não se mexesse e corri para dentro da casa em busca de um espelho. Quando voltei, acho que foi a primeira vez que vi minha avó chorar, ela tentou disfarçar, abaixando a cabeça para bordar logo o sorriso de Poliana, mas uma das lágrimas escapou e caiu bem na bochecha da boneca, numa sarda ainda com tinta fresca. E eu nunca conseguia olhar para esta sarda sem enxergar o formato de um coração.

Foi esta lembrança que me trouxe até à casa onde minha avó morou, para ver se conservava a parreira. Está desabitada, mas foi como se eu ainda pudesse ver meus tios jogando bola, a grande mesa posta na varanda para os almoços de domingo. Sabe que foi nesta mesa que apanhei pela primeira e única vez na minha vida? Não sei se depois dei motivos, provavelmente não. Preciso perguntar aos meus pais, mas agora tenho quase a certeza de que foi no mesmo dia da minha primeira visita a este lago, com a minha mãe. Acho que sim, que ela saiu para passear comigo para que eu parasse de chorar, embora não deva ter doído tanto assim. Se doeu, foi mais nele que em mim, eu sei. O meu pai tinha pedido diversas vezes para que eu descesse da mesa onde desfilava de um lado para o outro, depois do almoço. As pessoas ainda na sobremesa ou no café, e eu me divertindo com os pedidos de “dá uma voltinha”, “agora faz pose”. O meu pai achando um abuso, uma falta de respeito e pedindo que eu parasse com aquilo, que desfilasse depois, e não em cima da mesa, de onde até poderia cair e me machucar. Ninguém mais via isto, só ele. Então me tirou de cima da mesa com duas palmadas que me fizeram fechar o sorriso e chorar o resto da tarde de domingo. Acho que sim, que foi depois disso que a minha mãe me trouxe para passear aqui.

Tenho também vivas as recordações da garagem onde minhas tias faziam bailinhos regados a ponche e martini com guaraná, e eu ficava olhando de longe, escondida - nova demais para participar e velha o suficiente para achar esta proibição uma grande injustiça. O corredor que descíamos de carrinho de rolemã. O fogão a lenha onde tinha sempre água quente para o café ou fumegava um tacho de doce de leite, de goiaba, de laranja da terra. O conforto das coisas conhecidas, era disto que eu estava precisando. E então me lembrei do rio.

Eu precisava vir porque me dava urgência a passagem marcada para o dia seguinte, as dúvidas sobre a ilha e a possibilidade de não voltar mais, que eu realmente começava a considerar. Um recuo como estratégia de renovação da vida. Eu nunca imagino que todos os meus sonhos sejam infalíveis, e tenho aprendido a considerar a volatilidade das coisas. Contar sempre com o certo paralisa as nossas outras vontades e nos conserva em um estado de extenuação pós-voluptuosa - foi Drummond que disse algo assim -, incapazes de irmos atrás de outros sonhos.

Ponha-se ao longe e observe: uma mulher que abandona tudo e vai viver em uma ilha desconhecida, sozinha, à espera de um amor; um amor também desconhecido. Você morre de amores por ela, ou morre de pena? Há muito dos loucos na alma dos apaixonados, desde a união de Poros e Penia, de quem o Amor é filho. Metade feminino e metade masculino. Metade mortal e metade imortal. Metade lúcido e metade louco. Ora dá, ora mendiga. Esta inversão vicia; acho que não vivo mais sem ela, mesmo doente, usando também esta palavra no sentido de “o que dói”. Ainda sobre o amor, diz-se que sucede a paixão, uma patologia, sim, visto que não é boa nem má, e apenas depende de como progride. Adoece-se de paixão no ódio, no ciúme, na inveja. Então, o que resta para o amor? É dela a cura ou a evolução? Não sei... Só sei que sofro de amor. É como uma falta de ar, uma impossibilidade de respirar sozinha, e querer que alguém respire através de mim e por mim. É o que se faz com quem se afoga, não é? Revive.

Ao mesmo tempo, há uma vontade de permanecer assim, porque desta maneira se habita um outro lugar que não é o nosso. Que não conhecemos e onde também ninguém nos conhece. E então podemos falar besteira, cometer gafes, dar vexame, fingir ser o que não somos. E tudo se perdoa em nome do amor. Ele se torna um Deus único e soberano, onipotente, aos pés do qual nos prostramos agradecidos e temerosos. Faz-se penitência, reza-se novenas, amaldiçoa-se os hereges insensíveis, obedece-se a um outro código de moral e comportamento. Vive-se flagelando corpo e alma para merecer uma audiência com ele, breve que seja, punitiva se for preciso, abençoada se meritória.

Quando pensava no último amor eu tinha vontade que o meu nome estivesse escrito, com todas as letras e não apenas com traços, na mão direita deste alguém. Para que ela, a mão, seja incondicionalmente entregue à palmatória. Tenho medo das dúvidas, dos enganos, dos que não acreditam no que considero serem as minhas certezas ou, pior ainda, dos que não acreditam nas próprias certezas se elas não se apresentam tão claras. E se nesse caso me dissessem “engano de pessoa” eu diria que não se foge do destino. Pega-se atalhos, tenta-se encontrar a saída por caminhos diversos, mas sempre nos perdemos nas teias labirínticas que ele vai trabalhando ao nosso redor. Não acredito que devemos nos deixar levar de uma forma passiva, mas temos que nos render diante das revelações. Nelas também não há brechas para eufemismo, sorte é sorte, não é coincidência.

Você sabe a diferença entre falta e ausência? Eu já destilei tanto estes sentimentos que sou capaz de distingui-los de olhos fechados. Há uma expressão que a minha avó dizia e que me deixava maravilhada: “fazer boa ausência de alguém”, que significa falar bem de alguém que está ausente. Eu achava isto uma das coisas mais nobres que se poderia fazer por alguém. Na falta, isto não é possível, quase sempre ela incorre em defeito, privação ou culpa. Não se faz boa falta de ninguém; não querem dizer a mesma coisa, embora digam.

Eu preciso que a vida também conheça estas sutilezas, para que não me puna pelos anos em que estive ausente. Para este lago, ela, a vida, não reservou grandes surpresas. Continua sendo eu. Pedindo aos céus que me poupe das grandes verdades, das grandes decisões, dos grandes erros. Pelo menos até o momento em que resolvi entrar, medir forças, para ver quem aguentava mais a presença do outro, como nos jogos que fazíamos na infância.

Pois então, quer saber por que me atirei ao lago? Vontade de justificar a minha falta, de começar de novo, de me reinaugurar. Eu queria alcançar esta outra margem, nadar até onde nunca tinha vindo. E num último mergulho, já chegando aqui, mas ainda sob as águas, vi um vulto se mexer. Puxou meus olhos para fora da água e eles se prenderam ao vôo dele, como a um anzol. Uma minúscula borboleta espelhando no lago as cores vibrantes que trazia nas asas, destoando do tom de quase luto fechado deste lugar. Acompanhei seu vôo tranquilo sobre as águas que pareciam se tornar mais azuis por causa do contraste, até aqui na areia, onde ela veio pousar. Destinada que era, aos teus pés.

Fim

17 Comments:

Anonymous Lêda R. J. Chaves said...

Ana,
Vejo no seu jeito de escrever,o modo de ser,pensar,sentir,próprios de uma mulher que sabe exprimir sentimentos e despertar emoções.
Parabéns! Um beijo
Lêda
Avise quando vier a São Paulo.

4/27/2006 03:32:00 PM  
Blogger Matilda Penna said...

Até que não, não estou de saco cheio não, adorei reler o livro, mesmo.
Aguardo ansiosa o post sobre os motivos que fizeram você publicar aqui o livro.
"Pois então, quer saber por que me atirei ao lago?"
Acho que porque era inevitável, algo assim.
Beijos e na centésima meia confissão o blog termina?
Não!!! - :).

4/27/2006 06:04:00 PM  
Blogger Tristão said...

Meu endereço é tristam37@uol.com.br Quero, mais talvez que o convite, o endereço da livraria em que poderei comprar o seu livro. Beijos eletrônicos e literários.

4/29/2006 06:28:00 AM  
Blogger Allan Robert P. J. said...

Não tinha me dado conta que o livro já tinha sido publicado (sou distraído). Gostei. :)

4/30/2006 01:22:00 AM  
Blogger Ana Maria Gonçalves said...

Lêda, obrigada por acompanhar. Aviso sim. Não quer me enviar um e-mail? Assim ficamos em contato direito, já que o blog está quase acabando...

Matilda, fico feliz que tenha (re)gostado ;-)Pois é, na centésima o blog termina. E o post vem logo, logo.

Allan, esse aí do blog já foi publicado, e agora está saindo um outro.



Beijos,
Ana


Beijos, Tristão, e pode deixarq ue mando os dois ;-)

5/02/2006 01:07:00 PM  
Anonymous Lêda R. J. Chaves said...

Ana:
O meu e-mail é:leda1234@globo.com
Bj
Lêda

5/02/2006 07:28:00 PM  
Anonymous Anônimo said...

Ahhh....não acaba não!
Faz outro...sei lá, mas não acaba com o blog não! Ele me inspira e me mostra, todos os dias, que eu escrevo muito mal e que definitivamente não sei expressar meus sentimentos...
Parabéns pela capacidade!!!
Beijos
Raquel Espigado

5/03/2006 02:32:00 PM  
Blogger Ana Maria Gonçalves said...

Lêda, está anotado. Obrigada.
Raquel, eram só 100 meias confissões, menina. ;-) E obrigada pela força, pois estou chegando nelas, nas 100, com a ajuda de leitoras como você.

Beijos,
Ana

5/03/2006 02:45:00 PM  
Anonymous Sonia said...

Li no blog do Gravatá que o Millor Fernandes é o "padrinho" do livro que você está lançando pela Record. Quando sai essa noite de autógrafos no Rio?

5/04/2006 12:04:00 AM  
Blogger Ana Maria Gonçalves said...

Sônia, no Rio será final de julho ou início de agosto. Pode deixar que te aviso com antecedência. Estou bem apadrinhada, né? ;-)
Beijos,
Ana

5/04/2006 07:07:00 PM  
Anonymous Lúcia said...

Ana: maravilhoso. Mesmo.

Beijo!

5/05/2006 06:58:00 PM  
Blogger Ana Maria Gonçalves said...

Obrigada, Lucia
beijos,
Ana

5/06/2006 03:03:00 PM  
Anonymous Teresa said...

Ana, comecei a ler "um defeito de cor" e estou hipnotizada. É muito difícil parar de ler para cuidar da vida!!
Parabéns!
Seguindo a indicação da orelha do livro vim ver o livro "Ao lado e a margem...", mas estão faltando o capítulo 12 e, talvez, o começo do 13. Você poderia postá-los, ou enviar po e-mail(teresasia@hotmail.com)?
Grata,

6/30/2006 10:29:00 AM  
Blogger Pasca said...

Aninha,
Estou na página 600 de Um Defeito de Cor e parei para ver seu blog. Isso já me levou a criar o meu, para ter como fazer contato.
Descobri vc pelo Renato Pompeu (Retrato do Brasil) e estou encantado.
Você já lançou o livro em Brasília, onde moro?
Muitos parabéns pela beleza do trabalho.
Paulo, 3/12

12/03/2006 10:41:00 AM  
Anonymous Anônimo said...

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2/01/2007 12:55:00 AM  
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3/17/2007 06:00:00 AM  
Blogger Fanzine Episódio Cultural said...

O PAPEL E O POETA

Não quero mais ser um coadjuvante
Para ser lembrado apenas por um lapso.
Estou farto de pensamentos disfarçados em abstrato
Ziguezagueando por entre linhas de raciocínio.

Quem é o criador?
O poeta que se torna escravo de suas musas
Ou o papel que as alforria silenciosamente?
Perguntas sem respostas
Cuja desculpa se encontra
No último parágrafo.

Cansei de ser o fardo de uma pena
E depósito de frustrações.
Quero libertar-me desse jugo
E prender-me em minhas próprias idéias – ou:
Ser o personagem da minha própria pessoa.

Quero atuar em meu próprio mundo,
Ser a minha gramática,
Sem uma sentença que me condene.

Quero descobrir o meu verdadeiro papel,
Poder enxergar a mim mesmo.
Não sobre uma escrivaninha fria e empoeirada
Que o tempo deixou no esquecimento,
Mas sim em cada alma,
Em cada poesia.


*( Agamenon Troyan )

8/03/2012 06:06:00 PM  

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