Confissão #96

Capítulo 11 - Parte V


Do que são feitos os sonhos


É estranho estar agora a caminho de Ibiá; e se eu tivesse pensado melhor, mais certo seria não estar. Mas acho que deve ser mesmo o que tenho a fazer. Eu estou confusa, precisando demais de você, e você não chega. Acho que esta viagem vai ser boa para colocar os sentimentos nos devidos lugares. Ajustar o foco, sabe como é? A necessária distância para se enxergar nitidamente todos os acontecimentos. Às vezes ficamos tão apegados a uma idéia que não enxergamos mais nada para além dela. Eu só te peço que fique comigo, que não saia do meu lado, por favor, porque eu tenho medo de cometer mais enganos.

Queria encontrar por lá a minha avó Lola. Acho que nunca te falei dela, não é? Mas vou falar em um lugar muito especial. Eu a tenho sentido muito próxima nestes dias, e me lembrado de como ela morreu. Já estava doente havia alguns meses, melhorando e piorando, e nós sem conseguirmos nos esquecer de que o médico tinha dado mais seis meses de vida; a esperança oscilando como o estado de saúde dela. Morreu de repente, depois do período significativo de melhora. Os filhos que tinham estado sempre por perto, voltaram para as cidades onde moravam, voltaram ao trabalho, aos próprios afazeres e relaxaram. Fomos surpreendidos com a notícia da morte dela, e depois nos disseram que é mesmo assim, que precisávamos relaxar a vigília para que ela enfim pudesse seguir seu caminho. Sei que não se compara, mas será que vai ser assim com você? Será que agora que eu saí de lá, da ilha, que eu relaxei na espera, você enfim vai chegar?

Avisei a dona Isabel para que ficasse atenta. Ela vai dormir lá na casa durante os dias em que eu estiver ausente. E vou telefonar em cada um destes dias para saber se você apareceu. Esperei-o tanto, que agora só espero que você saiba fazer o mesmo por mim; serão só mais alguns dias. Menos ainda do que eu, a dona Isabel não sabe quem é você, pois contei apenas que gosto de alguém e que este alguém pode aparecer. Ela queria saber como você é, e eu disse que não me lembrava, que poderia estar mudado, diferente, mas que você se apresentaria. Ela não ia acreditar se eu dissesse que não sei, ia achar que mais uma vez alguém é contaminado pela loucura do Zé. Se não acreditou na história de Lorelei, porque acreditaria na minha? Achei melhor não contar.

Sabe do que acabei de me lembrar agora? Que não perguntei ao Zé o que significam aquelas letras no peito dele. L sei que é de Lorelei, mas e as outras? Nem me lembro mais quais eram, não era uma sequência lógica que fosse fácil de gravar. Engraçado, mas é como se eu tivesse a sensação de que não vou voltar. Seria mais cômodo, não seria? Tenho esperança de que quando voltar você esteja à minha espera. Mas se não estiver, o quanto mais eu aguento de incertezas e decepções? Eu não sei, e é tentadora a idéia de não voltar, de não correr riscos, de dar um jeito para que me enviem as coisas que deixei lá. Preciso pensar direito, mas sabe por que acho que não farei isso? Porque não tenho para onde ir, não tenho casa, não tenho um lugar para onde queira voltar. A única coisa que é verdadeiramente minha é algo tão subjetivo que às vezes até eu duvido que exista: esta espera por você.

E antes que eu enlouqueça mesmo, faça-me acreditar de verdade, não me deixe mais achar que venho apenas me enganando este tempo todo. O tempo... Será que o sente do mesmo modo que eu? Será que ele existe para você da mesma forma que existe para mim? Então deve perceber que ele anda nos afastando, ao invés de fazer ficar mais próxima a sua chegada. Porque cada dia é um dia a mais na sua falta, e não um a menos na sua espera, já que ela não tem data para terminar. E eu já não aguentava mais. Perdoa? Eu tive medo. Como no sonho em que estava cercada de morcegos, muitos, maiores e mais ameaçadores do que os que eu conheço, e eles me atacavam. Eu gritei por você e você não apareceu. Eu continuei gritando e J. foi ver o que acontecia.

Eu acordei tendo quase a certeza de que você não existia. Pelo menos não desta maneira que eu te quero, que eu te vejo, que eu te procuro e sonho. Você é apenas um homem, qualquer um. Não um qualquer, mas amado por mim vai se tornar tudo o que eu espero que seja. E o mesmo acontece comigo. Será que você vai ser capaz de ver como sou apenas mais uma mulher? Que apenas através do seu amor é que eu vou me tornar a sua mulher? Então, é por isto que às vezes eu tenho medo de que não nos reconheçamos. De não sermos ainda o que estamos procurando. Acho que é por isso que tenho tanto cuidado quando falo de J.... Porque poderia ser que eu estivesse falando de você, contradizendo tudo que eu afirmava sobre te reconhecer assim que colocasse meus olhos em você. Foi disso que eu também tive medo, e por isso deixei J. ficar. Ele disse que me abraçaria, só abraçar, nada que eu não quisesse, e tudo ia passar; o medo, o frio, a sensação de abandono na qual você me deixou. E eu quis, eu quis o abraço de J. e fiz com que ele me quisesse também, com tudo que eu tinha direito, com tudo que eu esperei receber de você quando você chegasse. Os abraços, os beijos, os carinhos, as pétalas de rosa, o prazer. Eu não sei a quem de nós três eu traí; talvez a mim mesma. O que você vai me dizer se eu te contar que não sei com quem fiz amor? E que mesmo assim eu gostei? E que quero repetir quando voltar? Só não sei se você vai estar me esperando...

1 Comments:

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5/04/2010 06:29:00 PM  

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