Confissão #79

As notinhas da semana passada, via PublishNews:

03/04
Copiar é proibido?
O Globo - 1/4/2006 - por Miguel Conde
As editoras brasileiras declararam guerra a um esteio não-oficial da vida universitária do país: a fotocópia. Depois de conseguir na Justiça a realização de ações de busca e apreensão contra a cópia de livros em universidades de cinco estados e de Brasília, a Associação Brasileira de Direitos Reprográficos (ABDR), que reúne 102 editoras, está agora processando 18 instituições de ensino superior que se negaram a suspender o funcionamento de copiadoras em seus campi. Em reação, nove diretórios acadêmicos do Rio e de São Paulo lançaram no fim de fevereiro o movimento “Copiar livro é direito” e preparam milhares de cartilhas para divulgar um manifesto pró-xerox. Enquanto a indústria diz que a cópia de livros é um ato de pirataria que lhe custou R$ 400 milhões em 2005 (cálculo baseado na estimativa de que cada aluno gasta R$ 50 por semestre com cópias), estudantes dizem brigar pelo direito de acesso à informação. A falta de recursos das bibliotecas universitárias e a entrada no ensino superior de alunos cotistas, a maioria de famílias pobres, são outros elementos da discussão, que envolve ainda órgãos governamentais. O Conselho Nacional de Combate à Pirataria, ligado ao Ministério da Justiça, considera errado tratar estudantes que copiam trechos de livros como criminosos. As editoras não vão desistir da briga.

Direito autoral hoje inibe a criação, diz Lessig
O Globo - 1/4/2006 - por Leonardo Lichote
Num divertido exercício de síntese, pode-se dizer que Cultura livre (Lawrence Lessig. Vários Tradutores, Francis/Trama Universitário. Download gratuito no site www.tramauniversitario.com.br) é sobre como (e por que) Mickey Mouse deixou de ser um sujeito bacana ao trocar suas amizades — afastou-se da criatividade sem regras de Pateta para se juntar à ganância egoísta de Tio Patinhas. E também sobre como essa escolha tem definido os rumos de nossa cultura. Para pior. Lessig, professor de Stanford, questiona a maneira como os direitos autorais vêm sendo interpretados nas últimas décadas. A tese central: o conceito, que nasceu para proteger e incentivar o criador, hoje tem efeito contrário. É usado como instrumento de controle da produção cultural pela grande indústria de conteúdo. Limites tecnológicos (ferramentas anticópia) e jurídicos (altas multas) desencorajam quem queira usar trechos ou se basear em obras alheias.

Grandes tradutores agora recebem status de autor
Folha de S. Paulo - 1/4/2006 - por Marcos Strecker
O mercado editorial brasileiro vive hoje o melhor momento de sua história -quando se fala de tradução. Uma grande geração de tradutores valorizados pelas editoras e fiscalizados pela crítica responde por uma profissionalização inédita, um movimento ainda em expansão. Eles ganham o status de autor, sonho dos teóricos desde os anos 60. O fenômeno é mais visível pelas grandes traduções lançadas nos últimos anos, pelo esforço empreendido em traduções alternativas, pela melhor remuneração dos profissionais (pagamento por empreitada, e não mais por lauda) e pela diversidade de línguas traduzidas do original -várias raramente eram vertidas diretamente para o português. É o caso do japonês, por exemplo. A tradutora Leiko Gotoda, sobrinha do escritor Junichiro Tanizaki e uma das "estrelas" da atual geração de tradutores, já verteu inéditos de Yukio Mishima, do clássico Eiji Yoshikawa e do tio Tanizaki para a Estação Liberdade. Acaba de finalizar seu maior desafio: traduzir Jovens de um Novo Tempo, Despertai!, do Prêmio Nobel Kenzaburo Oe, a ser lançado em junho pela Companhia das Letras. Os exemplos são vários. Pela primeira vez o Livro das Mil e Uma Noites (Globo) foi traduzido do árabe, por Mamede Mustafa Jarouche. Dom Quixote ganhou nova tradução (O Engenhoso Fidalgo D. Quixote da Mancha, Record), feita em parceria pelo brasileiro Carlos Nougué e o espanhol José Luis Sánchez. O monumental Ulisses (Objetiva), de James Joyce, ganhou nova versão de Bernardina da Silveira Pinheiro, para concorrer com a conhecida tradução de Antônio Houaiss. Um dos sinais mais evidentes da profissionalização é a diminuição das traduções feitas a partir de versões do inglês e do francês, o que era prática corrente. "A tradução se tornou um tema relevante, não marginal. A crítica e o "policiamento crítico" da tradução fez com que os tradutores fossem mais reconhecidos pelos editores e cuidassem melhor do seu trabalho", afirma o professor e tradutor Modesto Carone, especialista nas obras de Franz Kafka.

Caderno 2 lança concurso de contos
O Estado de S. Paulo - 3/4/2006 - por Dib Carneiro Neto
Estão abertas de hoje ao dia 30 as inscrições para o Concurso Cultural 'Caderno 2 na Copa do Mundo', que vai escolher dez contos inéditos que tenham o futebol como tema ou pano de fundo. O objetivo é estimular a criação literária entres os leitores do jornal, num ano em que todas as atenções estarão voltadas para a torcida da seleção brasileira na Copa do Mundo da Alemanha. O único e-mail habilitado para receber os textos é o seguinte: contos.futebol@grupoestado.com.br. Textos que chegarem por correio ou fax serão desconsiderados. Podem participar só autores inéditos ou que tenham, no máximo, dois livros publicados individualmente (não valem antologias). Os textos devem ter no máximo 3 mil caracteres (incluindo os espaços em branco). Cada conto deve vir com o nome do autor, endereço e telefones, números de R.G. e C.P.F., bem como um minicurrículo de no máximo mil caracteres ou 170 palavras. Poesias não serão aceitas no concurso. A única forma de premiação é a publicação dos dez melhores contos no Estado, em junho. Não haverá prêmios em dinheiro ou láureas. O regulamento completo ficará o mês todo disponível no site www.estadao.com.br.


04/04
Sucesso de público
Secretaria de Estado da Cultura - 31/3/2006
A mostra comemorativa dos 50 anos de Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa, é um dos destaques do Museu da Língua Portuguesa. Com curadoria de Bia Lessa, a exposição traz uma ambientação especial que procura recriar o sertão: o chão é de cimento e as janelas são abertas para a luz natural. Feita em palavras, a mostra não tem a preocupação de mostrar textos e imagens de Guimarães Rosa, mas fazer com que o público mergulhe na história narrada e na revolução de linguagem que o autor provocou. O espaço também possui efeitos cenográficos e interatividade. Inaugurado há 16 dias, o Museu da Língua Portuguesa recebeu até o fim da tarde do dia 30, mais de 15,3 mil visitantes.

Justiça dá vitória a companhia brasileira contra a Amazon.com
Valor Econômico - 3/4/2006 - por Ricardo Cesar
No primeiro round da disputa judicial entre a Amazon.com, uma das maiores companhias de comércio eletrônico do mundo, e o provedor de acesso Amazon Informática, de Belém do Pará, a empresa brasileira levou a melhor. O juiz Edson Ferreira da Silva, da 13ª vara da fazenda pública da cidade de São Paulo, julgou improcedente o pedido da gigante americana de que o provedor nacional abra mão de seu nome empresarial, do uso da marca Amazon e do domínio www.amazon.com.br. O juiz considerou inválido o argumento de que a marca Amazon goza de notoriedade internacional e, por isso, deve ser protegida, a despeito de a empresa não estar presente no país. A avaliação foi de que, nesse caso, as duas companhias foram fundadas em períodos muito próximos, quando a Amazon.com ainda não era notoriamente conhecida.

Capital Brasileira da Cultura 2007
MinC - 4/4/2006
A cidade histórica de São João Del-Rei, em Minas Gerais, foi eleita nesta sexta-feira, 31 de março, como Capital Brasileira da Cultura 2007. Ela concorreru com as cidades de Mariana (MG), Mossoró (RN), Santa Maria (RS) e Santa Cruz Cabrália (BA). São João Del-Rei é a segunda cidade eleita como Capital Brasileira da Cultura. A primeira foi Olinda (PE). Este projeto tem o apoio institucional dos ministérios da Cultura, do Turismo e da Unesco.

Chef amadora transforma blog em livro e ganha prêmio literário
UOL - 3/4/2006 - por Jeffrey Goldfarb
Um relato que uma aspirante a chef fez de sua tentativa de cozinhar receitas da renomada chef norte-americana Julia Child ganhou na segunda-feira o primeiro prêmio literário devotado a livros baseados em blogs. Julie Powell, uma texana de 32 anos, derrotou outros 89 candidatos ao primeiro Blooker Prize, ganhando 2.000 dólares da patrocinadora do prêmio, a editora digital Lulu, sediada nos Estados Unidos. "Julie and Julia: 365 Days, 524 Recipes, 1 Tiny Apartment Kitchen" (Julie e Julia: 365 Dias, 524 Receitas e Uma Cozinha Minúscula de Apartamento) relatou sua odisséia tentando cozinhar cada receita do clássico de Child, "Mastering the Art of French Cooking". O blog (www.juliepowell.blogspot.com) foi publicado em livro no ano passado pela Little, Brown, do Grupo Warner Book, e já vendeu mais de 100 mil cópias. Cory Doctorow, editora do popular blog Boingboing e presidente do júri do Blooker, disse que Powell ganhou o prêmio porque seu modo de escrever era engraçado e atraente. Cada vencedor ficou com mil dólares.


05/04
CPTM adere à campanha Livro Livre
PublishNews - 5/4/2006
A campanha Faça Parte do Clube dos Amigos da Leitura, da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), adere ao movimento Livro Livre. A prática incentiva leitores a deixar um livro em qualquer local para que outras pessoas tenham acesso à leitura. Na CPTM, a ação começou nesta sexta-feira (31) e vai até o dia 10 de abril e abrangerá tanto a área administrativa quanto as estações e o interior dos trens. A idéia é que depois de desfrutar da leitura, o dono do livro opte por liberá-lo novamente em algum local público para outra pessoa ou o doe à recém-criada Biblioteca CPTM - Mário Covas, localizada em Presidente Altino, Osasco. A fim de identificar a mobilização, recomenda-se escrever na primeira página ou contra capa "Livro Livre - Leia, Libere, Encontre! www.livrolivre.com". Um dica para os participantes da brincadeira é imprimir o logotipo do Livro Livre, disponível no site Livro Livre e colar no exemplar, para identificar o movimento e permitir a troca de impressões sobre outros leitores que tiveram a experiência. Por fim, basta escolher um lugar para deixar o Livro Livre, de preferência que tenha uma boa circulação de pessoas e esteja protegido de sol muito forte e chuva. Quem quiser doar direto para a biblioteca deve entrar em contato pelos telefones 11-3689-9107/9347 ou por meio do endereço eletrônico biblioteca@cptm.sp.gov.br. São aceitos todos os tipos de livros, desde que estejam em bom estado de conservação.

Bloomsbury, editora de Harry Potter, entra na era dos downloads
UOL - 4/4/2006 - por Pete Harrison/Reuters
A editora de Harry Potter, a Bloomsbury, entrou na era digital na terça-feira, lançando seus primeiros 24 downloads digitais depois de um ano em que o personagem ajudou a aumentar os lucros da casa em 24 por cento. "Os nossos primeiros 24 títulos foram colocados à venda há uma hora, e é uma iniciativa muito animadora porque embora não se trate de uma grande área agora, ela o será no futuro", disse o presidente Nigel Newton à Reuters. A Bloomsbury anunciou um investimento de 15 milhões de libras no mercado de livros de não-ficção sobre esportes, música, TV e filmes, após o sucesso de "The Two of Us", de Sheila Hancock, sobre sua vida com o ator John Thaw.


06/04
Mídias alternativas como combate a pirataria
PublishNews - 6/4/2006 - por Renata Sturm
Ameaçadas pelas cópias reprográficas ilícitas nas universidades, a Associação Brasileira de Direitos Reprográficos (ABDR) e a Associação Brasileira de Editoras Universitárias (ABEU) estão juntas em um projeto que visa oferecer outras alternativas para aquisição, de forma lícita, de conteúdo acadêmico pelos estudantes. É a Plataforma Eletrônica de Venda de Conteúdo. Segundo um informativo enviado pelas duas associações: “O nível de urgência de tal iniciativa já era crescente não somente pelo desenvolvimento das novas tecnologias/mídias, em especial a Internet, mas também pela demanda que era imposta às editoras de livros universitários”. Vencidas pela prática da cópia nos centros acadêmicos, as duas associações resolveram seguir o velho ditado popular: “se você não pode vencê-los, una-se a eles”. A Plataforma Eletrônica de Venda de Conteúdo, que já teve a adesão e suporte financeiro das principais editoras acadêmicas brasileiras, tem como objetivo legalizar a prática da cópia, assim como já aconteceu com o mercado da música ao comercializar músicas pela Internet. E a estimativa das associações é de que o processo se torne acessível já no próximo semestre letivo. No entanto, a viabilização do investimento não depende apenas do investimento ou da parte técnica envolvida já em andamento, mas também da adaptação do modelo de negócios das editoras para a venda de seu conteúdo através desta nova mídia. Por essa razão, está sendo convocada uma reunião com todas as editoras para que as questões envolvidas possam ser discutidas. As reuniões estão marcadas para as seguintes datas: Dia 18 de abril, terça-feira, às 10h, na sede da CBL - Câmara Brasileira do Livro - em São Paulo Dia 19 de abril, quarta-feira, às 14h, na Sede do SNEL - Sindicato Nacional de Editores de Livros - na cidade do Rio de Janeiro. As vagas são limitadas e por isso é preciso confirmar a participação através dos telefones 11-5052-5965 ou 21-2215 6058 ou ainda pelo e-mail abdr@abdr.org.br.


07/04
Tempo Glauber
MinC - 7/4/2006 - por Déa Barbosa/Sérgio Bazi
Será publicado, nos próximos dias, Decreto assinado pelo Presidente da República que reconhece como interesse público e social o arquivo privado do cineasta Glauber Rocha (1939-1981). O anúncio será feito pelo ministro da Cultura, Gilberto Gil, nesta segunda-feira, dia 10 de abril, às 14h, na sede do Tempo Glauber, no Rio de Janeiro. A cerimônia contará com as presenças do secretário do Audiovisual, Orlando Senna; do diretor-geral do Arquivo Nacional, Jaime Antunes; e do coordenador de Documentos Audiovisuais e Cartográficos, Clovis Molinari. Durante o evento, haverá o lançamento do DVD duplo Terra em Transe (1967) e o relançamento do livro O Século do Cinema, com textos de Glauber Rocha, em edição revista e ampliada pela editora Cosac & Naify. O DVD de uma das obras-primas do cineasta traz, além da versão do filme restaurada em alta definição, mais de duas horas de extras, incluindo o documentário inédito Depois do Transe, dirigido por Paloma Rocha e Joel Pizzini. E, também, cenas inéditas, comentários do diretor, trailer, e o curta Maranhão 66, também de Glauber. Informações pelo telefone 21-2527-5840 e para imprensa 61-3901-3823

Copa do Mundo impulsiona publicações
Folha de S. Paulo - 7/4/2006 - por Eduardo Simões
Na carona da Copa do Mundo 2006, que acontece entre 9 de junho e 9 de julho, na Alemanha, algumas editoras brasileiras vêm escalando cada vez mais novos títulos ou relançamentos para atender a quem, fã de futebol, mas também de livros, não dispensa um bom gol de letra. Colunista da Folha, autor de seis livros sobre o assunto, o escritor, roteirista e diretor de cinema e televisão José Roberto Torero está presente em três lançamentos. Em dois deles com crônicas: O Mundo É uma Bola(Ática, 128 pp., R$ 14,90), já nas livrarias, e 11 Histórias de Futebol (Nova Alexandria, 144 pp., R$ 29), com lançamento marcado para o dia 15 de maio. Torero também assina a apresentação de Coadjuvantes (Martins Fontes, 148 pp., $ 29,50), recém-lançado romance do escritor e designer gráfico Gustavo Piqueira, que fala sobre um torcedor comum às voltas com o longo jejum de títulos do Palmeiras, de 1979 a 1993. Em meados de maio, a editora Rocco entra em campo com dois títulos inéditos: A Bola Corre Mais Que os Homens, uma perspectiva antropológica do futebol, assinada por Roberto DaMatta. E Guia Cult Para a Copa do Mundo , compilação de artigos sobre o esporte, feitos por personalidades dos cinco continentes, e organizado pelo escritor inglês Nick Hornby, ele mesmo um fã, autor de Febre de Bola (Rocco, 248 pp., R$ 31,50). A editora Objetiva também entra na disputa pela atenção do leitor com Vai na Bola, Glanderson! (182 pp.), do "casseta" Hélio de la Peña. E Paris, 1998 (Objetiva, 104 pp.), em que Mario Prata conta as aventuras e desventuras de um brasileiro que ganha uma passagem com ingressos para a Copa da França de 1998, promete à mulher que vai só para vender os bilhetes, mas acaba assistindo os jogos e arrumando uma amante na excursão. Para Isa Pessôa, diretora editorial da Objetiva, o período naturalmente evoca uma "sensibilidade mais aguçada" para temas ligados ao esporte.

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