Confissão #53

Estou meio compulsiva hoje. Vejo quantas confissões ainda tenho para fazer e dá vontade de fazer várias de uma vez... ;-)
Aí abaixo tem cinco novas confissões, e para encabeçar o final de semana deixo um poema da Adélia Prado:

Corridinho

Adélia Prado


O amor quer abraçar e não pode.

A multidão em volta,

com seus olhos cediços,

põe caco de vidro no muro

para o amor desistir.

O amor usa o correio,

o correio trapaceia,

a carta não chega,

o amor fica sem saber se é ou não é.

O amor pega o cavalo,

desembarca do trem,

chega na porta cansado

de tanto caminhar a pé.

Fala a palavra açucena,

pede água, bebe café,

dorme na sua presença,

chupa bala de hortelã.

Tudo manha, truque, engenho:

é descuidar, o amor te pega,

te come, te molha todo.

Mas água o amor não é.

3 Comments:

Blogger Claudio Costa said...

Adélia Prado, nossa mineirinha de Divinópolis, pega uma palavrinha comum e a transforma num... POEMA. Por isso os poetas são essenciais: dizem o que sentimos e jamais conseguimos expressar. Dizem o indizível....

3/11/2006 02:45:00 PM  
Anonymous Sonia said...

Quanta confissão gostosa, a gente lê com um sorriso nos lábios. Também tive casa de avó para passar as férias. Que coisa mágica férias na casa da avó! E Adélia Prado, que sabe transformar em poesia as coisas mais banais - isto é, parecem banais até que Adélia mostra pra gente que tudo é poesia.

3/13/2006 04:32:00 PM  
Blogger Ana Maria Gonçalves said...

Cláudio, taí, corridinho você acabou de dar uma das muitas definições de poesia...

Sônia, gostoso e ter leitoras como você, que dá gosto de ler ;-)

Beijos,
Ana

3/14/2006 01:03:00 AM  

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