Confissão #22

Quando resolvi sair de São Paulo, não tinha a mínima idéia de para onde queria ir. Sabia que não queria mais ficar lá, e nem trabalhando noq ue eu trabalhava. Ou seja, sabia muito bem o que não queria, mas não tinha a menor idéia do que queria, a não ser uma vontade enorme de escrever.

No dia 2 de fevereiro de 2001, fiquei fascinada com uma imagem que vi na TV: Gal Costa cantando dentro de um saveiro todo enfeitado e iluminado sobre o mar do Rio Vermelho. Ela vestia uma túnica esvoaçante azul e parecia flutuar em meio às oferendas que seriam lançadas ao mar. Ao fundo havia um início de noite anunciando o fim de um dia daqueles que, no princípio de tudo, foram reservados apenas para as paisagens e o céu de Salvador. Prometi a mim mesma que no ano seguinte estaria lá.

Em 1 de fevereiro de 2002 cheguei a Bahia para conhecer e para me apaixonar, e passei todo o 2 de fevereiro participando daquele dia de festa no mar. Menos de um mês depois eu estava de volta, para ficar, e durante o tempo em que morei na Bahia, sob o manto de Iemanjá, vivi alguns dos momentos mais felizes e produtivos da minha vida. Neste ano não vou, fico aqui nas Minas Gerais. Mas já joguei minhas flores por lá na passagem do ano e fiquei reparando: o mar não devolveu. Ela aceitou. Odó iyá, iyá mi!

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As informações abaixo, sobre Iemanjá, foram tiradas do site da Pallas Editora.

Dia da semana: sábado
Cores: cristal, azul claro
Símbolos: leque (abebé) com sereia, concha
Elemento: água
Plantas: colônia, aguapé, lágrima de nossa senhora, pístia (erva de santa luzia), trapoeraba branca (olhos de santa luzia)
Animais: peixes
Metal: prata
Comida: peixe, camarão, canjica, arroz, manjar; mamão
Bebida: champanha
Sincretismo: nossa senhora das candeias (da luz ) (2.2)
Domínio: mar
O que faz: protege de confusões e promove a harmonia na família. Ajuda a progredir na vida.
Quem é: a grande mãe dágua e do lar.
Características: maternal, protetora, competente, dedicada, mandona, possessiva, intrigante
Quizília: poeira, sapo
Saudação: odó iyá!
Onde recebe oferendas: na praia
Riscos de saúde: problemas no ventre: aparelho urinário, genitais; deficiência circulatória
Presentes prediletos: flores, perfume, colar, espelho, pente etc; suas comidas e bebidas

Lendas:
(1) - Quando Obatalá e Odudua se casaram, tiveram dois filhos: Iemanjá (o mar) e Aganju (a terra). Os irmãos se casaram e tiveram um filho, Orungã (o ar). Quando cresceu, Orungã se apaixonou pela mãe. Um dia, aproveitando a ausência do pai, tentou violentá-la. Iemanjá conseguiu escapar e fugiu pelos campos. Quando Orungã já a alcançava, ela caiu ao chão e morreu. Então seu corpo começou a crescer até que seus seios se romperam e deles saíram dois grandes rios, que formaram os mares; e do ventre saíram os orixás que governam as 16 direções do mundo: Exu, Ogum, Xangô, Iansã, Ossaim, Oxossi, Obá, Oxum, Dadá, Olocum, Oloxá, Okô, Okê, Ajê Xalugá, Orum e Oxu.

(2) - Iemanjá teve muitos problemas com os filhos. Ossaim, o mago, saiu de casa muito jovem e foi viver na mata virgem estudando as plantas. Contra os conselhos da mãe, Oxossi bebeu uma poção dada por Ossain e, enfeitiçado, foi viver com ele no mato. Passado o efeito da poção, ele voltou para casa mas Iemanjá, irritada, expulsou-o. Então Ogum a censurou por tratar mal o irmão. Desesperada por estar em conflito com os três filhos, Iemanjá chorou tanto que se derreteu e formou um rio que correu para o mar.

(3) - Oemanjá foi casada com Okere. Como o marido a maltratava, ela resolveu fugir para a casa do pai Olokum. Okere mandou um exército atrás dela mas, quando estava sendo alcançada, Iemanjá se transformou num rio para correr mais depressa. Mais adiante, Okere a alcançou e pediu que voltasse; como Iemanjá não atendeu, ele se transformou numa montanha, barrando sua passagem. Então iemanjá pediu ajuda a Xangô; o orixá do fogo juntou muitas nuvens e, com um raio, provocou uma grande chuva, que encheu o rio; com outro raio, partiu a montanha em duas e Iemanjá pôde correr para o mar.

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Foto: Iemanjá na Bahia, Pierre Verger

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Um livro fantástico com muitas informações e lendas sobre os orixás é o Mitologia dos Orixás, do Reginaldo Prandi, pela Companhia das Letras

2 Comments:

Blogger Matilda Penna said...

Ana Maria:
Talvez a mesma foto se deva a Iemanjá dizendo que algumas amizades devem ser cuidadas, quem sabe?
Afinal, jantamos juntas pela primeira vez em fevereiro, exatamente dia 2, com fitas azuis de Iemanjá amarradas nos braços. Engraçado como algumas coisas ficam gravadas na lembrança...
Passou o Ano Novo aqui na Bahia, foi?
E jogo sim a sua flor para ela, uma flor branca, certo?

2/02/2006 01:00:00 AM  
Blogger Ana Maria Gonçalves said...

Matilda, e eu não me lembro também? Saracoteei o dia inteiro, de Stella Maris ao Rio Vermelho e depois cheguei no hotel, tomei um banho e fui me encontrar com você naquela pizaria do Dique, de frente para todos os orixás ;-)
Sim, uma flor branca.
Axé, minha amiga!
beijos,

2/02/2006 01:08:00 AM  

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