Confissão #2

Confesso que preciso conhecer mais poesia, e por isso escolhi Cora Coralina para madrinha desse blog. O nome dela era Ana Lins do Guimarães Peixoto Brêtas, mais conhecida como Aninha da Ponte da Lapa, doceira de mão cheia, poetisa bissexta de rara sabedoria e delicadeza. São dela alguns dos poemas de que mais gosto, como este do qual muitas vezes me aproprio, como se tivesse sido escrito para mim:


Aninha e suas pedras
Não te deixes destruir
ajuntando novas pedras
e construindo novos poemas.
Recria tua vida, sempre,sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces.
Recomeça.
Faz de tua vida mesquinha um poema.
E viverás no coração dos jovens
e na memória das gerações que hão de vir.
Esta fonte é para uso de todos os sedentos.
Toma a tua parte.
Vem a estas páginas
e não entraves seu uso
aos que têm sede.


O termo meias confissões de Aninha é tirado de seu livro Vintém de Cobre - Meias confissões de Aninha, sobre o qual deixo as palavras de Drummond:

"Minha querida amiga Cora Coralina: Seu "Vintém de Cobre" é, para mim, moeda de ouro, e de um ouro que não sofre as oscilações do mercado. É poesia das mais diretas e comunicativas que já tenho lido e amado. Que riqueza de experiência humana, que sensibilidade especial e que lirismo identificado com as fontes da vida! Aninha hoje não nos pertence. É patrimônio de nós todos, que nascemos no Brasil e amamos a poesia (...)."

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