Confissão #11

Eu já fui uma vítima da moda e já usei muitas coisas das quais hoje até me envergonho. Vestidos cheios de babados intercalados de tecido branco com bolinhas pretas e tecido preto com bolinhas brancas, ou mangas bufantes, ou aquelas detestáveis obreiras enormes para estruturar camisas e blazers, tecidos cítricos de várias cores na mesma roupa e muitas coisinhas mais. Hoje ainda gosto de andar bem vestida, mas já não me importo em seguir a moda. Após anos tendo que me “montar” todos os dias para ir trabalhar, agradeço aos céus que posso me levantar e escolher algo que seja simplesmente confortável. Mas continuo gostando de acompanhar o que acontece no mundo da moda, e esses dias de Rio Fahion Week e São Paulo Fashion Week têm trazido coisas boas.

Um dos momentos mais emocionantes que estas semanas já proporcionaram, com certeza, foi o desfile de Jum Nakao (siga o link e vá até o site dele, é fantástico!) , em junho de 2004, em São Paulo. Para quem não assistiu, ele colocou na passarela modelos usando perucas estilo “playmobil”, maquiagem preta e roupas de papel que foram rasgadas em pleno palco, no final do desfile. A confecção das roupas consumiu mais de setecentas horas de trabalho e foram feitas em papel vegetal cortado a laser, para dar um efeito de rendas e bordados. Já li em uma entrevista que ele não encara a moda como um fim, mas como um meio, e levou isso ao extremo, provando, com a destruição das roupas, o quanto o fim é mesmo efêmero. O que ele queria mostrar era apenas um conceito de moda, e conseguiu de uma maneira bem criativa, ousada e inteligente, que emocionou a platéia.




A partir desse desfile, surgiu a idéia do livro A costura do invisível (acompanha DVD), publicado pela editora SENAC, que é carinho mas vale cada centavo. Jum Nakao, brasileiro neto de japoneses, tem apenas 37 anos e é um dos mais respeitados estilistas da atualidade. Foi dele também o figurino de Hoje é dia de Maria, sem dúvida um marco na produção cultural brasileira e, na minha opinião, a melhor coisa já produzida pela Globo.

*******
Para a página de Hoje é dia de Maria 1 - Link
Para a página de Hoje é dia de Maria 2 - Link
Para as páginas de onde tirei as fotos acima: Link 1 e Link 2

2 Comments:

Anonymous Leila said...

Ana, não descarte a possibilidade de voltar a usar roupas de bolinhas num futuro próximo, he he he!

Eu tive algumas peças de bolinhas que fui apaixonada e até hoje gosto. Aos 12/13 anos, teve uma moda de biquinis de bolinha, e o meu era amarelinho (!), ficava lindo no corpo. Aos 21, eu tinha uma echarpe fina, rosa de bolinhas pretas, que usava com uma roupa justa preta, meu cabelo era curtinho, me sentia a própria Audrey Hepburn, he he he.

O desfile do estilista japonês parece uma obra de arte. Mas eu ainda curto mais ver desfiles com roupas que dêem para usar... Bah, na verdade não ligo muito para desfiles de moda. Bjs,

1/20/2006 09:37:00 PM  
Blogger Ana Maria Gonçalves said...

Leila,
Não descarto a possibilidade de vir a morder a língua, é claro. Aliás, também tenho algumas peças de bolinhas, mas aqueles modelos eram de matar. Ainda bem que os papéis fotográficos daquela época não eram tão bons e algumas provas do crime já estão bem desbotadas ;-)
Quanto a desfiles, nunca fui ao vivo, mas curto ver pela TV. O pior é que vendem apenas "conceitos", e as roupas quase nunca são usáveis. Mas acredito que isso está mudando um pouco, as confecções estão sentindo necessidade de vender mais.
Você com sua echarpe deve ter sido o máximo! E eu morria de inveja de quem podia usar biquíni de bolinha amarelinha sem ter que ficar ouvindo o tempo todo Ana Maria entrou... ;-)
Beijos,
Ana

1/21/2006 02:16:00 PM  

Postar um comentário

Links to this post:

Criar um link

<< Home